Durante muito tempo, atender era o suficiente. Abrir a porta do consultório, escutar o paciente com atenção, prescrever, orientar e seguir. A medicina era feita de rituais previsíveis, como se bastasse ao médico dominar o conteúdo e estar disponível. Só que o mundo mudou. E com ele, o que se espera de quem cuida.
A prática clínica do século XXI exige mais do que saber técnico. Ela exige presença estratégica. Exige escuta com clareza de posicionamento. Exige organização do tempo, do fluxo, do financeiro. E exige, acima de tudo, que o profissional de saúde aprenda a sustentar seu ofício com dignidade e autonomia.
Em setembro de 2021, quando ainda vivíamos o ensaio do que se chamou de “novo normal”, resolvi sublocar uma sala para realizar meus atendimentos particulares. Não. Eu ainda não tinha um consultório meu. Simplesmente adiava porque ainda não sabia como precificar, como me apresentar, como construir autoridade. Minha marca era frágil. O receituário que eu usava não dizia nada sobre quem eu era. Minha agenda estava cheia de buracos. Havia faltas, cancelamentos, inadimplências, caos.
Mesmo assim, confiei no processo. Levei cerca de seis meses para alcançar uma renda modesta. Mas pagava algo mais importante: a consciência de que era possível. Aprendi sobre perseverança, posicionamento e estrutura.
Decidi que só agendaria pacientes com pagamento antecipado. Estabeleci a quarta-feira como o “dia de ganhar dinheiro”. Era o único turno que eu tinha disponível. E foi nele que concentrei minha força. Aquele espaço limitado se tornou o início de uma nova construção.
Com o tempo, o volume aumentou. Percebi que precisava oferecer mais sem perder minha essência e sem pesar meu orçamento. Em 2023, após viver meu terceiro burnout, tomei a decisão de abrir meu próprio consultório. Um espaço meu. Físico, simbólico e estratégico. Foi ali que assumi a missão de ser médico e empresário de mim mesmo. E foi ali, também, que nasceu a HUB2DOC.
Não como uma empresa no sentido frio. Mas como um ecossistema pensado a partir das reais dores que vivi: a ausência de estrutura, a confusão entre vocação e exploração, a vergonha de cobrar, a culpa de prosperar.
A HUB2DOC nasceu para responder a isso com humanidade, tecnologia acessível e uma linguagem que conversa com quem cuida de pessoas.
Hoje, continuo nessa construção. Ainda aprendo. Ainda me ajusto. Mas sem o antigo medo de empreender. Porque entendi que empreender na medicina não é se distanciar do cuidado. É cuidar melhor da própria trajetória para continuar cuidando dos outros mais e melhor.
Empreender na medicina dá medo porque a gente nunca foi preparado para isso. O medo nasce da ausência de referência, da culpa ancestral de cobrar, da sensação de que dinheiro e cuidado não cabem na mesma frase. E, principalmente, nasce da crença limitante de que, ao empreender, perdemos nossa essência.
Mas o que descobri e ainda descubro é que o medo só diminui quando a gente age com clareza. Não é sobre se transformar em quem não se é. É sobre construir um caminho que seja fiel ao que você já é. A coragem não vem antes do movimento. Ela nasce durante.
Eu só comecei a vencer o medo quando deixei de esperar me sentir pronto e aceitei começar mesmo assim. Quando entendi que organizar meu consultório, sistematizar meu atendimento, estruturar minha agenda e me posicionar não era vaidade. Era cuidado comigo.
O medo perdeu força quando parei de fugir da palavra “empresa” e entendi que o consultório é, sim, um organismo que precisa de pilares. O medo ficou pequeno quando percebi que empreender é o que me permite continuar médico, inteiro, coerente, presente.
Se eu puder te dizer como se vence o medo de empreender, é isso: com pequenos movimentos diários de organização, com estrutura que respeita sua alma e com uma comunidade que te lembra que você não está sozinho. O medo continua ali, mas você aprende a não se ajoelhar diante dele. Aprende a andar, mesmo tremendo. E com o tempo, descobre que o empreendedor que você temia ser sempre foi parte do médico que você nasceu para ser.
O medo só começou a perder força quando encontrei uma forma de estruturar minha prática sem me desconectar de quem eu sou. E foi exatamente isso que eu idealizei e que a HUB2DOC me ofereceu.
Com ela, automatizei o agendamento com pagamento antecipado, reduzi faltas e inadimplência, economizei tempo e consegui manter minha agenda organizada mesmo trabalhando em múltiplos vínculos.
A HUB2DOC me ajudou a construir uma comunicação mais clara com os pacientes, reforçando o valor do meu trabalho sem precisar me explicar tanto.
Ela traduziu minha essência em estrutura. Tornou o invisível — como a confiança, o cuidado e o posicionamento — em algo palpável. Não precisei virar marqueteiro. Continuei sendo médico, mas com mais direção.
Ela respondeu exatamente ao que me paralisava: a falta de clareza, a desorganização silenciosa, a sensação de que eu estava sozinho. Ela criou ponte entre a clínica que eu tinha e o projeto de vida que eu queria.
Se você sente medo de empreender, não comece tentando ser o que não é. Comece se organizando com ferramentas que respeitam sua verdade. Comece com estrutura, com comunidade, com quem fala a sua língua. Foi assim que eu comecei a vencer. E continuo, um passo por vez, construindo o profissional que ainda estou me tornando.
Fontes e referências:
Scheffer, M. et al. Demografia Médica no Brasil 2023. CFM e USP
Ministério da Saúde. Saúde Brasil 2022 – Saúde Mental do Trabalhador da Saúde
Maslach, C. & Leiter, M. Understanding the burnout experience: recent research and its implications for psychiatry. World Psychiatry, 15(2), 2016
Pereira-Lima, K. et al. Physician Burnout and the Medical Education Pipeline. JAMA, 2019
Revista Brasileira de Educação Médica. Lacunas da formação médica no Brasil. Vol. 45, 2021



